quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Manual de Fisioterapia na Cirurgia Cardíaca

Manual de Fisioterapia na Cirurgia Cardíaca

Guia Prático de Iracema Ioco Kikuchi Umeda

Edição/reimpressão: 2005

Páginas: 128

Editor: Diversos

ISBN: 9788520414774

Idioma: Português do Brasil

Preço: 29.40€

Sinopse
Este é um livro técnico que descreve a atuação do fisioterapeuta antes e depois da intervenção cirúrgica, elucidando questionamentos sobre as técnicas mais adequadas para lidar com as complicações da cirurgia cardíaca e minimizá-las.
A obra é ricamente ilustrada com fotografias dos materiais e equipamentos utilizados pelo fisioterapeuta, apresentando o trabalho desse profissional com o paciente. Empregando uma linguagem simples e precisa, a autora utilizou sua experiência para compor esse trabalho destinado a profissionais que estão se firmando nessa área e a acadêmicos que se preocupam em não se limitar apenas à orientação teórica do curso.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Osteoporose

Osteoporose significa ossos porosos
À medida que a idade avança, os ossos começam a perder a massa óssea e tornam-se menos densos, o cálcio não é reposto da mesma forma que é removido, deixando-os mais finos, quebradiços e propensos a possiveis lesões.Celularmente predomina a actividade osteoclástica sobre a osteoblástica.A osteoporose afecta as mulheres cerca de cinco vezes mais que os homens, por várias razões, a densidade óssea é mais baixa, as mulheres magras com os ossos pequenos são mais propensas á osteoporose que as outras, as que sofrem de anorexia nervosa podem também produzir menos estrogénios, ficando com o maior risco de virem a sofrer da doença e o mesmo se passa com os homens com niveis particularmente baixos de testosterona.Também a artrite reumatóide (AR) e outros problemas articulares estão associados a um risco acrescido de osteoporose, além da AR puderemos incluir a diabetes tipo I, o hipertiroidismo e a doença crónica do figado.
Como Prevenir a Osteoporose
Todos nos lembramos em pequenos, os nossos pais dizerem que tinhamos de beber leite para fortalecer os ossos, e sabemos, para a formação óssea necessita de cálcio do leite, mas não precisamos de beber litros e litros para os proteger. Actualmente há quem afirme que não é necessário beber leite para repôr a DDR de cálcio na alimentação quotidiana.O iorgute, feijão, brócolos, sumo de laranja, verdura de nabos, couve-chinesa, sementes e frutos secos, tudo isso são fontes de cálcio. O cálcio alimentar é a melhor opção.Além do cálcio , os ossos também necessitam de vitaminas e minerais. As vitaminas D, C e K e vários minerais são nutrientes essenciais para a saúde dos ossos.A vitamina mais importante é a D que se encontra nos peixes gordos, como por exemplo, no salmão.A vitamina D aumenta a absorção de cálcio nos intestinos.A vitamina C, abundante na fruta e nos vegetais, ajuda a formar cologénio, uma proteina resistente e fibrosa onde os minerais se acumulam e são os que transformam em ossos.A vitamina K está presente em vegetais de folha verde onde vai contribuir para a produção de osteocalcina – proteína ossea.Os minerais para fortalecer os ossos são magnésio, zinco, manganês, cobre e boro:Magnésio encontra-se nos cereais integrais, germe de trigo e vegetais de folha verde-escura. Estimula a produção de calcitonina.Zinco também presente nos cereais integrais, leite, carne de vaca magra e marisco. Estimula a capacidade de os ossso produzirem mais massa ossea.Manganês existe nos frutos secos, fruta e vegetais de folha verde, ajuda na formação de cartilagem.Cobre encontra-se nas ostras, cogumelos, sementes de sésamo e castanhas de cajú.Boro obtém-se através da fruta e dos vegetais.
Cuidados Alimentares
O combate da osteoporose passa também pela “boca”, ou seja, por uma qualidade nutricional boa.Devemos ter cuidado com a quantidade de proteinas ingeridas .As proteinas, sobretudo a proteina de origem animal, quando ingerida no organismo, decompõem-se e produzem ácido sulfurico, que tem de ser misturado com cálcio antes de ser expelido através da urina e quando consumida em excesso obriga os ossos a libertarem cálcio ficando estes descalcificados.O sal também consumido em excesso leva o organismo a eliminar grandes quantidades de cálcio, não consumir alimentos salgados – aperitivos, fritos, sopas enlatadas, hamburgueres pré- cozinhados e muitos outros alimentos já preparados.Devemos evitar bebidas gaseificadas com poucas calorias, contém cafeína e fósforo, podemos trocar por uma chavena de chá de ervas aromáticas, cavalinha, por exemplo.Como referido anteriormente a vitamina D é importante para deter a perda de massa óssea. Para obter uma quantidade tão elevada de vitamina D é necessário tomar suplementos que, muitas vezes consumidos em excesso, podem trazer efeitos secundários nocivos. Há uma forma simples de obter esta vitamina. Basta uma exposição ao sol durante 15 minutos, sem protector solar, e assim se obterá a dose diária de vitamina D. Após este periodo deve aplicar-se o protector solar para evitar lesões na pele.O consumo de cereais integrais, como arroz integral, pão e massa integral ajuda-nos a ter a dose recomendável de cálcio, zinco e magnésio, por isso prefira sanduiches de pão integral e cereais de pequeno-almoço ricos em fibras.A soja, é um dos melhores alimentos no que diz respeito á saúde geral, como tofu e leite de soja.A soja é rica em isoflavonas, restaura a massa óssea.As isoflavonas substâncias presentes na soja que exercem no organismo efeitos semelhantes aos do estrogénio que podem ajudar a proteger os ossos.
Como Manter a Massa Óssea
Os ossos adaptam-se ao esforço fisico, tornando-se mais densos e mais fortes. O exercicio ajuda também a aumentar a massa muscular que protege os ossos, e melhora o equilibrio, o que reduz o risco de quedas.Os melhores exercicios para fortalecer os ossos são, exercicios musculares com sustentação de peso e carga. A marcha, por exemplo, é um dos melhores exercicícios com sustentação de peso e de impacto.A ginástica de força é importante não só para evitar a osteoporose, mas também para quem já sofra da doença.O médico pode aconselhar qualquer tipo de exercício adequado a cada caso, a marcha, a ginástica de força moderada ou o ioga, são certamente exercícios apropriados para as zonas mais vulneráveis a fracturas, quando existe a osteoporose, tais como, os punhos, as ancas e a coluna.
Aqui vão alguns exercicios úteis:

Para as Ancas
Deite-se no chão de lado, com as ancas e os joelhos em ângulo recto. Pouse a cabeça no braço, que está em baixo e apoie a outra mão no colchão.Eleve lentamente a perna que está em cima cerca de 10cm. Mantenha a posição por uns momentos e depois baixe a perna devegar. Vire-se sobre o outro lado e repita o exercicio com a outra perna.Para maior resistência, coloque um pequeno peso sobre a coxa ou faça as elevações com a perna esticada.
Para a Coluna Vertebral:
Este exercício também pode ser feita na camaNo chão, deite-se de barriga para baixo com as pernas juntas. Ponha as mãos no chão com as palmas para baixo e apoie a testa sobre as mãos.Erga lentamente a cabeça e os ombros do chão. Matenha a posição por momentos. Depois, devagar, volte á posição inicial.
Para os Punhos:
Sente-se na beira de uma cadeira com os pés afastados à largura das ancas e os joelhos na perpendicular dos tornozelos, seguro num peso (0,5/1K) com uma mão e pouse o antebraço na coxa. Apoie o antebraço com a outra mão.Devagar, dobre para cima a mão que tem o peso e mantenha a posição por uns momentos. Depois, lentamente dobre o punho para baixo até onde conseguir. Mantenha a posição durante 20s e volte á posição inicial.Repita o exercicio com a palma da mão virada para baixo. Faça o mesmo exercicio com o outro braço.
Além dos exercicios anteriores,podem praticar o TAI-CHI, melhora o equilibrio, reduz de forma significativa o risco de quedas.
Se gostar de Hidroginástica, é um exercicio dentro de àgua, em que não há sustentação de peso nem impacto e pode ajudar a conservar a massa óssea.
A massagem nestes pacientes pode oferecer muitissimo alivio sintomático, apesar de não poder reverter a degeneração do tecido osseo, aplicando uma massagem suave e relaxante tomando em consideração a condição muscular do paciente com osteoporose.O massoterapeuta quando consegue que o paciente fique sem dor por algumas horas, é um pequeno milagre!A massagem é contra-indicada quando existem fracturas agudas.
A reflexologia é outra terapia para o tratamento que pode ser aplicado quando o massoterapeuta encontre o paciente com dores e não permite o toque.A reflexologia ajuda no alivio da dor e provoca relaxamento total.Note-se que o movimento facilita a fixação de cálcio, sendo, pelo contrário, o imobilismo favorecedor de depleção de cálcio ósseo. Se utilizarmos, em doentes idosos, a sequência: Um banho de Sol; Uma massagem; Mobilização passiva dos membros inferiores em primeiro lugar e depois dos superiores, observar-se-ão melhoras globais na redução da evolução da osteoporose e até alguma melhoria na espessura da trabécula óssea e da própria lâmina óssea. Claro que a uma boa alimentação quali-quantitativa deverá estar presente e bem balanceada em nutrientes, como atrás se referiu.

Ligamento Cruzado Anterior LCA

Introdução
O tratamento das rupturas do L.C.A tem sofrido várias modificações ao longo dos anos. Os maus resultados obtidos com os tratamentos anteriores e o melhor conhecimento da articulação do joelho, permitiram-nos alcançar o estadio actual na ligamentoplastia intra-articular, com uma alta taxa de sucesso cirúrgico.

Anatomia
A articulação do joelho contém dois ligamentos cruzados que tem a
função de impedir o movimento de translação anterior ou posterior da tíbia em relação ao fémur. Chamam-se cruzados, porque se cruzam no centro da articulação.

O que é preciso saber
A lesão do ligamento cruzado anterior (L.C.A.) do joelho está ligada a actividade desportiva em 85% dos casos (futebol, esqui, rugby, andebol, etc.). Trata-se de uma lesão frequente, invalidante e evolutiva. O tratamento cirúrgico está habitualmente indicado, ocupando a fisioterapia um lugar essencial. A prática do desporto com um joelho instável (na presença de uma ruptura do L.C.A.) é desaconselhada. O tratamento conservador (não cirúrgico) tem lugar para pacientes mais idosos, sem a ambição de praticar actividade desportiva. A ruptura do ligamento pode favorecer as lesões meniscais. Na medida do possível, é necessário tentar a reconstrução do ligamento cruzado anterior antes do aparecimento destas lesões.. A evolução de uma lesão não tratada num jovem desportista, é normalmente a artrose (desgaste da cartilagem) 20-30 anos após a ruptura inicial.
Sintomas na fase aguda
O mecanismo da ruptura do ligamento cruzado anterior é observada frequentemente no contexto desportivo quando o quadríceps é fortemente contraído. A ruptura ligamentar pode igualmente ocorrer nos entorses do joelho, em valgo e rotação externa ou varo e rotação interna e quando se realiza rotação do joelho com o pé fixo no solo (choque no futebol...). Um estalo é percebido por vezes pelo paciente, e uma sensação de deslocamento. A dor tem intensidade variável, que é explicada pelo derrame que tenciona a cápsula articular.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na história e no exame clínico do joelho: no caso de lesão recente, o exame é realizado de maneira a não causar dor. A punção articular com presença de sangue é indicativa de uma ruptura ligamentar. É esperado um flexo do joelho e o teste de lachman-Trillat pode confirmar a ruptura do ligamento cruzado anterior. O teste do ressalto ou pivot shift é difícil de se realizar na fase aguda devido a dor.

Imagens
As radiografias simples são necessárias pois podem mostrar a presença de lesões ósseas (fracturas de espinhas tibiais, côndilo externo). A radiografia de frente do joelho pode mostrar a fractura de Segond, patognomônica de uma lesão do L.C.A.. A Ressonância magnética é o exame mais fiável para o diagnóstico da ruptura dos ligamentos e lesões meniscais, mas sua realização e interpretação necessitam grande experiência.


Tratamento Conservador
O tratamento conservador deve ser considerado quer inicialmente quer para aqueles doentes que apresentem lesão isolada do L.C.A. e que se proponham a modificar suas actividades desportivas passando a evitar desportos que facilitem o aparecimento da dor , edema e falseios. Tratar conservadoramente não implica abandonar o paciente à própria sorte , mas sim envolvê-lo em actividades que incluam exercícios orientados, treino funcional e reeducação desportiva.



Tratamento Cirurgico
As técnicas cirúrgicas utilizadas para reconstrução do ligamento cruzado anterior datam de 1903 sendo actualmente realizadas maioritariamente por artroscopia. Os enxertos mais utilizados são o terço médio do tendão rotuliano, tendões da pata de ganso (semi-tendinoso e grácil) e o tendão da fascia lata. Este tendão é posicionado no lugar do ligamento cruzado anterior roto (posição anatómica). O transplante escolhido é fixado no fémur e na tíbia por parafusos de interferência ou outros sistemas de fixação.
A experiência nos mostrou que a sutura do ligamento cruzado anterior lesionado ou a utilização de ligamentos artificiais ou homólogos, não apresentaram bons resultados.

Reeducação
A reeducação funcional é essencial para obtenção de um bom resultado . Os objectivos da reeducação do joelho após enxerto do ligamento cruzado anterior são bem estabelecidos actualmente e é diferente em função da técnica cirúrgica realizada, e principalmente do tipo de enxerto e sua fixação. O objectivo é, em todo caso, de começar a mobilização imediatamente após a intervenção.

by Vitor Caine

terça-feira, 8 de setembro de 2009

XXIX Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia

Data:
28-30 de Outubro de 2009
Local:
Centro de Congressos da Alfândega, Porto
Comissão Organizadora do Congresso:
José Neves
Jacinto Monteiro
Manuel Leão
Fernando Fonseca
Rolando Freitas
Gilberto Costa
Guimarães Consciência
José Parra
Roxo Neves
Comissão Organizadora Local:
Rui Pinto
Presidente de Honra do Congresso:
Bárbara Branco
Tema:
Doença de Kienböck : da etiologia ao tratamento
Coordenação:
César Silva (Hospital Geral de Stº António)
José Botelheiro (Hospital de Sant’Ana)
Mesa Redonda:
Ligamento cruzado anterior: conceitos e tratamento
Coordenação:
Fernando Fonseca (FMC/HUC)
Fontes Lebre (C. Hospitalar de V. N. Gaia)
Fórum EFORT Ortopedia Infantil
Coordenação: Cassiano Neves
Conferência de Abertura: Manuel Sobrinho Simões
Palestrantes internacionais:
Alexander Vaccaro- USA
Freddie Fu- USA
Michael Soudry- Israel
António Murcia- Espanha
Gilles Walch- França
Yves Catonné- França
Pierre Barouk- França
Presidente da SOFCOT
Presidente da SECOT
Presidente da SBOT

Doença coronária grave no atleta

CASO CLÍNICO

Autor: E. Infante de Oliveira

Poderá aceder ao trabalho em formato .pdf AQUI

Bursite

A bursite é a inflamação com dor de uma bolsa (um saco achatado que contém líquido sinovial e que facilita o movimento normal de algumas articulações e músculos, reduzindo a fricção).
As bolsas estão localizadas nos pontos de fricção, especialmente onde há tendões ou músculos que passam por cima do osso. Embora uma bolsa geralmente contenha muito pouco líquido, no caso de se lesionar pode inflamar-se e encher-se de líquido.
A bursite pode resultar do uso excessivo de uma articulação de maneira crónica, de feridas, gota, pseudogota, artrite reumatóide ou infecções, mas com frequência, desconhece-se a causa. Embora os ombros sejam os mais propensos à bursite, também se inflamam frequentemente as bolsas dos cotovelos, das ancas, da pélvis, dos joelhos, dos dedos do pé e dos calcanhares.
Sintomas
A bursite causa dor e tende a limitar o movimento, mas os sintomas específicos dependem da localização da bolsa inflamada. Por exemplo, quando se inflama uma bolsa do ombro, aparece dor e dificuldade ao erguer o braço e afastá-lo do lado do corpo (como ao vestir uma peça de roupa com mangas).
A bursite aparece de forma repentina, e a zona inflamada dói quando se move ou se toca. A pele por cima das bolsas localizadas muito perto da superfície (como perto do joelho e do cotovelo) pode tornar-se avermelhada e inflamar-se. A bursite aguda, causada por uma infecção ou pela gota, é particularmente dolorosa e a zona afectada torna-se avermelhada e ao tacto sente-se calor.
A bursite crónica pode ser resultado de ataques anteriores de bursite aguda ou de lesões repetidas. Finalmente, as paredes da bolsa espessam-se e pode depositar-se nelas uma substância anormal com aglomerados de cálcio sólido, com aspecto de gesso. As bolsas com lesões são mais propensas a inflamações quando são submetidas a exercícios ou esforços pouco usuais. A dor e o inchaço prolongados limitam o movimento, causando debilidade motora e atrofia muscular. Os acessos de bursite crónica podem durar de alguns dias a várias semanas, e com frequência são recidivantes.
Diagnóstico e tratamento
O médico pode considerar que se trata de uma bursite se a zona à volta da bolsa dói à palpação e se alguns movimentos específicos da articulação são dolorosos. Se a bolsa estiver muito inchada, o médico pode extrair com uma agulha e uma seringa uma amostra do líquido da bolsa para fazer análises que determinem as causas da inflamação (como uma infecção ou a gota). As radiografias não costumam ser úteis, a menos que detectem os típicos depósitos de cálcio.
As bolsas infectadas devem ser drenadas, administrando-se, além disso, os antibióticos apropriados. A bursite aguda não infecciosa habitualmente é tratada com repouso, imobilização temporária da articulação afectada e um anti-inflamatório não esteróide, como a indometacina, o ibuprofeno ou o naproxeno. Por vezes, podem ser precisos analgésicos mais fortes. Como alternativa, pode injectar-se directamente na bolsa uma mistura de um anestésico local e um corticosteróide. Pode acontecer que a injecção tenha de ser novamente repetida.
As pessoas que sofrem de bursite aguda podem tomar um corticosteróide por via oral, como a prednisona, durante alguns dias. Quando diminui a dor, a prática de exercícios específicos é útil para aumentar o grau do movimento articular.
O tratamento da bursite crónica é semelhante, embora seja menos provável que tanto o repouso como a imobilização sejam eficazes. Por vezes, as grandes acumulações de cálcio nos ombros podem ser irrigadas com uma agulha de calibre grosso ou extraídas cirurgicamente. As bursites que limitam a função dos ombros podem ser aliviadas por meio de várias injecções de corticosteróides juntamente com uma fisioterapia intensiva, para restabelecer o funcionamento da articulação. Os exercícios ajudam a reforçar os músculos enfraquecidos e restabelecem o grau completo do movimento articular. A bursite é, com frequência, recidivante se não for corrigida a causa subjacente, como a gota, a artrite reumatóide ou o uso excessivo crónico da articulação.

Acidente Vascular Cerebral

O acidente vascular cerebral (AVC) é provocado por uma alteração na circulação do sangue no cérebro, tendo como consequência uma perda rápida da função neurológica provocado pelo entupimento ou ruptura de uma veia ou artéria.
Tipos de AVC
O AVC isquémico é o mais frequente. É provocado pela presença de um coágulo de sangue ou trombo numa artéria, impedindo o sangue de passar (isquémia). Deixa de haver irrigação na parte do cérebro que era abrangida por esta artéria deixando de funcionar devido à morte das células.
O acidente isquémico transitório (AIT) é caracterizado por isquémia temporária assim como as sequelas (alterações) das lesões. A obstrução da artéria não é total pelo que o sangue circula em menor quantidade. Doentes com de AIT constituem um grupo de risco para desenvolver AVC.
No AVC hemorrágico há ruptura da parede da artéria e o sangue começa a espalhar-se nessa zona.
Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas surgem de forma repentina.
- Dor de cabeça intensa
- Dificuldade em falar, ler, escrever e em se equilibrar
- Diminuição ou perda da força muscular ou sensação de formigueiro na cara, braço ou perna
- Perda da visão em um ou ambos os olhos
- Náuseas e vómitos
Prevenção
O melhor tratamento para qualquer doença é a prevenção. Nesta doença devem ser identificados e tratados os factores de risco.
Factores de risco
Estes factores são a hipertensão arterial não controlada, trombose, diabetes melitus, arritmias cardíacas, doenças reumatológicas, tabaco, idade, colesterol, consumo excessivo de álcool, obesidade e pílula. Até aproximadamente aos 50 anos os homens têm maior risco, a partir desta idade iguala para ambos os sexos. Os idosos têm maior probabilidade de sofrer AVC.
O AVC causa dependência e alterações da vida do doente e família, pelo que a prevenção através da alteração dos hábitos de risco é o melhor tratamento.
Diagnóstico
O médico avalia o doente pedindo a este para realizar três tarefas.
A primeira é sorrir para observar se alguma das faces está paralisada.
Pede também para levantar os braços ao mesmo tempo e mantê-los. Se algum descair um pouco também pode ser sinal de AVC.
Na terceira pede para este repetir uma frase. Se o doente não consegue pode ser outro indício de AVC.
Tratamento
Sempre que houver suspeita de AVC o doente deve ser enviado de imediato ao hospital. O factor tempo interfere na escolha e eficácia do tratamento.
No AVC isquémico é administrado medicamentos trombolíticos para desfazer o coágulo sanguíneo e reverter ao máximo possível a isquémia.
No hemorrágico se a hemorragia for pequena o organismo absorve o sangue. Se for extensa esta pode ser drenada, consoante o local onde se encontra. Em outros casos devido à quantidade de sangue e localização, não se pode actuar.
Se o doente fazia medicamentos que interferem na coagulação, como o varfine, estes devem ser suspensos.
Evolução/reabilitação
A evolução e reabilitação dependem das características do AVC, da zona atingida, do tempo de actuação e do apoio que o doente tiver.
Nos AIT a pessoa recupera sem sequelas.
No AVC o doente pode ficar com paralisia, disartria (alteração na articulação das palavras), afasia (sem falar), alteração na compreensão, sentidos e memória. Aquando da alta o médico avalia a necessidade do doente realizar fisioterapia para promover ao máximo a recuperação motora e da fala.
Poderá ser necessário aconselhamento da dietista na alimentação se o doente ficar com dificuldade em engolir

Dicionário de Fisioterapia



Dicionário de Fisioterapia
de Stuart Porter

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 526
Editor: Lusodidacta
ISBN: 9789898075208
Preço: 28.35€

Este guia de referência, fácil de consultar e portátil, é o primeiro dicionário e glossário internacional específico para a fisioterapia.É uma recolha muito ilustrada de termos, conceitos e definições que os estudantes e os fisioterapeutas qualificados terão oportunidade de encontrar nos programas de estudos e campos de trabalho. Os contributos incluem muitos dos nomes mais importantes no campo da fisioterapia.Expandindo-se em definições simples, o Dicionário de Fisioterapia cobre temas e tópicos importantes, acompanhados de diagramas, notas e sites da web.
O dicionário inclui:
• Termos musculoesqueléticos e raquidianos
• Termos respiratórios
• Termos neurológicos
• Termos psicossociais
• Termos de electroterapia
• Termos de investigação
• Termos académicos
• Termos gerais, médicos e cirúrgicos
• Abreviaturas médicas, prefixos e sufixos
• Apêndice: Escrita de ensaio, por Sally French e John Swain
O Dicionário de Fisioterapia é um instrumento de referência rápida para os estudantes usarem nos estágios clínicos, nos estudos universitários, no estudo auto-orientado ou na época de revisões. Tem também um valor inestimável para os alunos de ciências do desporto, reabilitação desportiva e terapêutica ocupacional.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Distonia

A distonia é uma doença do sistema nervoso, cuja principal característica é o movimento involuntário dos músculos (espasmos), provocando movimentos e posições anormais de uma parte ou da totalidade do corpo. Há uma paragem repentina do movimento da pessoa, provocada pela contracção involuntária, lenta e repetitiva do músculo.
A distonia tem várias denominações consoante o local afectado. Se for numa zona limitada do corpo como as mãos, pescoço ou olhos, é distonia focal. Em duas zonas juntas, como braço e mão, a distonia é segmentar; em metade do corpo é hemidistonia; se afectar todo o corpo é distonia generalizada.
Há dois tipos de distonia, a primária e a secundária. Na primeira, desconhece-se a causa, sendo parte das distonias primárias genéticas; na segunda, a causa é consequência de uma doença, acidente ou problemas no parto.

Causas
As causas não são conhecidas (idiopáticas) em grande parte dos doentes. Há quem defenda ser devido ao funcionamento incorrecto dos núcleos da base do cérebro, provocando contracções e movimentos involuntários nos músculos errados quando a pessoa está parada ou em movimento.
Também pode ser devida a uma hiperactividade de algumas áreas do cérebro, como o tálamo, córtex cerebral e gânglios basais.
A distonia crónica pode ter origem genética. A distonia também pode ser provocada numa situação grave de hipoxia (falta de oxigénio no cérebro), por alguns metais pesados, reacção a alguns medicamentos (geralmente melhora com medicação injectável), por doenças ou acidentes que provoquem lesão em certas zonas do cérebro (distonia secundária).
As distonias focais afectam apenas uma zona limitada do corpo. Normalmente, os sintomas começam após os 30 anos e podem passar despercebidos. Posteriormente, as contracções musculares são mais intensas e frequentes, manifestando-se também durante o repouso. Nesta altura, pode haver dor no músculo comprometido.
As cinco distonias focais mais frequentes são a blefarospasmo, distonia oromandibular, torcicolo espasmódico, disfonia espasmódica e cãibra do escrivão.

Distonia focal blefarospasmo
Esta distonia afecta os músculos localizados na região peri-orbital, responsáveis pelo fechar das pálpebras. Na fase inicial, há um aumento do número de vezes do piscar os olhos, irritação dos olhos e maior sensibilidade á luz (fotofobia). O uso de óculos de sol alivia o desconforto da luz. O stress agrava a doença.
Com a evolução da doença, há aumento da frequência e intensidade no piscar os olhos, e por fim surgem espasmos musculares que provocam dificuldade na abertura dos olhos. Pode afectar um olho e posteriormente o outro. Surge grande dificuldade em ver, podendo levar o doente a ficar incapacitado para executar algumas tarefas do dia-a-dia.

Distonia oromandibular

Os espasmos estão localizados na região inferior da cara (boca, língua e mandíbula). Há dificuldade na abertura e/ou encerramento da boca, no mastigar, engolir e articulação das palavras.

Torcicolo espasmódico
É o mais frequente e afecta os músculos que sustentam o pescoço. Pode ser em um ou ambos os lados e afectar mais do que um músculo. As alterações da postura são ao nível da cabeça e pescoço, podendo haver rotação, desvio para qualquer um dos lados, para a frente ou trás ou 2 combinados.
O stress e cansaço aumentam a intensidade da distonia, mas melhora com o repouso e a posição horizontal.

Disfonia espasmódica
Há comprometimento dos músculos das cordas vocais provocando dificuldade ou incapacidade na articulação das palavras e saída de som perceptível. Os espasmos musculares involuntários são ao nível das pregas vocais, laringe e faringe. Encontra-se muitas vezes conjuntamente, disfonia em outros músculos faciais. A voz pode sair com cortes ou tipo sussurro.

Cãibra do escrivão

Inicialmente, os movimentos involuntários do membro superior surgem ao realizar uma tarefa repetitiva como escrever (escrivão) ou tocar música (músico). Com a evolução da doença, a alteração pode surgir durante o repouso.

Distonia segmentar
Os músculos não são restritos a uma zona, mas sim a duas juntas. A mais comum é a que atinge os músculos peri- orbitais (distonia blefarospasmo) e os da face (distonia oromandibular). Afecta músculos de ambas.

Hemidistonias
Os músculos afectados são sempre do mesmo lado do corpo. Pode surgir em qualquer faixa etária. As lesões no núcleo da base costumam ser do lado oposto da zona da manifestação da distonia.

Distonias generalizadas
São as mais raras das anteriores. Os sintomas surgem de forma lenta mas progressiva. Podem surgir na infância, com contracções em um ou ambos pés ao andar e posteriormente também em repouso.
A distonia vai afectando outros músculos do corpo, provocando grandes dificuldades na marcha. Pode ser necessária ajuda para as actividades do dia-a-dia.

Sinais e Sintomas

Inicialmente são suaves, podendo passar despercebidos, mas com a evolução da doença aumentam de frequência e intensidade. Diferem conforme o músculo afectado.
- Tremores
- Cãibra
- Deterioração da escrita
- Dificuldade ou incapacidade para agarrar em objectos (caneta, flauta ou tacos de golfe)

Tratamento
Como não se sabe ao certo qual a causa da doença, torna-se difícil tratar a causa da doença. Por este motivo, o tratamento é destinado ao alívio dos sintomas.
O tratamento pode ser feito com medicamentos, com a toxina botulínica ou cirúrgico.
O tratamento farmacológico, ajuda a controlar os movimentos e a reduzir as contracções. É mais eficaz nas distonias generalizadas da criança.
A toxina botulínica impede a contracção muscular porque paralisa os músculos implicados. Esta toxina é injectada nos músculos afectados. É mais eficaz nas distonias focais e segmentares do adulto. Este tratamento é feito em média de 3 em 3 meses, de forma a não haver regressão dos sintomas.
O tratamento cirúrgico é destinado aos doentes que não beneficiam com os anteriores. A cirurgia retira ou faz lesão cirúrgica dos nervos ou órgãos necessários.
Pode ser colocado cirurgicamente um neuroestimulador recarregável, que controla grande parte das contracções involuntárias.

Tendinite

A tendinite é a inflamação de um tendão. Os tendões são cordões fibrosos, formados por tecido conjuntivo, que ligam os músculos aos ossos, onde se fixam. São responsáveis pelos movimentos das articulações do nosso corpo, como o abrir e fechar a mão.
Alguns tendões têm na parte exterior uma membrana (bainha sinovial) que também pode inflamar juntamente com o tendão, originando a tenosinovite.
Existem outras doenças que podem afectar a bainha do tendão, como a artrite reumatóide, causando tenosinovite.

Origem
A inflamação surge geralmente devido à repetição do mesmo movimento, durante muito tempo. Não é uma doença tipicamente profissional, mas as pessoas mais afectadas são os funcionários das linhas de montagem, ao terem a mesma tarefa durante a sua carreira. Os tendões mais afectados são os das mãos e braços.
Inicialmente a dor pode passar despercebida e aliviar com o descanso, mas com a manutenção do movimento a dor aumenta. Passado uns anos a dor não passa com o repouso, podendo incomodar durante a noite.
Devido a ser de difícil tratamento, a melhor solução passa pela prevenção, através de vários períodos de intervalo e alteração dos movimentos realizados.

Pessoas atingidas
A maioria aparece a partir dos 50 anos, porque com a idade os tendões lesionam-se com mais facilidade. Nos jovens que fazem tarefas repetitivas ou esforços físicos intensos, pode surgir mais cedo.

Sinais e sintomas

As dores são muito fortes com o passar do tempo, podendo levar a pessoa a se reformar por incapacidade física.
Inicialmente pode surgir dormência nos dedos, mãos frias e dificuldade em executar tarefas simples.

Tratamento
O tratamento alivia os sintomas. O médico pode indicar a imobilização do membro, repouso e aplicação de compressas quentes ou frias, conforme a situação e fisioterapia.
Também pode prescrever medicação para reduzir a dor e a inflamação. O médico pode injectar a medicação no local da inflamação.
Dependendo da tendinite, o médico pode considerar a cirurgia extraindo as zonas com inflamação.